Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas: crime movimenta US$ 30 bi

O tráfico de pessoas é um tipo de crime que movimenta no mundo anualmente mais de US$ 30 bilhões segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Dia 30 de julho é marcado como Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, atividade que movimenta em torno de 30 bilhões de dólares ao ano — ficando atrás somente do tráfico de drogas e de armas, e que, principalmente, afeta a vida de milhões de mulheres, homens e crianças que são explorados para diversos fins, como trabalhos forçados, servidão sexual (o que inclui casamentos arranjados sem consentimento), mendicância forçada e até mesmo remoção de órgãos.

As Nações Unidas definem o tráfico de pessoas como “recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força ou outras formas de coerção, de rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder ou de uma posição de vulnerabilidade ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento para uma pessoa ter controle sobre outra pessoa, para o propósito de exploração”. Assim, entendemos que o tráfico humano pode se dar não somente na sua forma claramente ilícita e desvantajosa, mas também por meio de sedutoras e fraudulentas ofertas de trabalho, apresentadas por meio de pessoas e grupos que fornecem contratos e estruturas aparentemente sérias e profissionais.

Segundo os dados mais recentes da UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, o número de pessoas traficadas detectado vem aumentando, totalizando 25 mil casos somente em 2016. Esses dados, porém, não podem ser tomados como absolutos, uma vez que para a pesquisa foram considerados apenas 97 países que representam 47% da população mundial. Ainda, devemos considerar que há uma cifra gigantesca que não entra na conta devido à subnotificação, que ocorre tanto por organizações criminosas que atuam no ramo conseguirem manter suas atividades em segredo, quanto por muitas denúncias não ocorrerem em razão das pessoas traficadas sentirem medo, falta de confiança ou até mesmo vergonha, sendo essa última mais comum em casos relacionados à exploração sexual, que é o fim mais frequente.

Segundo os dados, do total de pessoas traficadas no mundo, 72% são do sexo feminino, sendo 49% mulheres e 23% meninas. Os homens representam 28%, com 21% de homens e 7% meninos.
Muito embora a exploração sexual lidere as estatísticas com 59% dos casos, ocorrendo mesmo entre pessoas do sexo masculino – 10% dos homens e 27% dos meninos são traficados para fins de exploração sexual; os trabalhos forçados também representam parcela significativa e que vem aumentando, inclusive entre o sexo feminino, que já soma 35% das vítimas para esse fim.
Zonas de conflito, onde a ausência do Estado e situações de vulnerabilidade em geral são maiores, são regiões mais propícias para o tráfico humano ocorrer. Um dos fatores que contribui, sobretudo em campos de refugiados, é a falta de registro nos nascimentos, tornando comum que crianças não possuam documentos – e às vezes nem nacionalidade, sendo apátridas. A subtração de crianças para integrarem brigadas armadas, as chamadas “crianças-soldado”, é prática não rara sobretudo nos conflitos da República Democrática do Congo e República Centro Africana. A abdução de mulheres para escravidão sexual é também usada como arma de guerra, principalmente para desmoralizar a elas e aos grupos dos quais fazem parte, em favor das tropas as quais vão explorá-las.

MDB Bahia

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